O Brasil pode enfrentar pelo menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro de 2026, segundo uma análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A estimativa considera o comportamento das temperaturas durante períodos influenciados pelo fenômeno El Niño e pode aumentar caso o fenômeno se intensifique nos próximos meses.

O alerta chama atenção justamente às vésperas da primavera e do verão, quando tradicionalmente as temperaturas já começam a subir em boa parte do país. Para moradores de cidades litorâneas, como as da Região dos Lagos, o cenário também merece atenção, principalmente por causa dos efeitos do calor prolongado sobre a saúde, o consumo de energia, a disponibilidade de água e o meio ambiente.

🌡️ NÃO SERÁ APENAS UM DIA DE CALOR

Uma onda de calor não significa simplesmente registrar uma temperatura elevada durante um único dia.

O fenômeno ocorre quando temperaturas máximas e mínimas permanecem excepcionalmente acima do padrão por pelo menos três dias consecutivos. Ou seja, o problema está justamente na permanência do calor e na dificuldade de recuperação durante a noite.

Segundo o levantamento, foram analisados 47 anos de registros de temperatura. O histórico mostra que os episódios de calor extremo vêm se tornando mais frequentes e alcançando áreas maiores do território brasileiro.

🔥 O ÚLTIMO EL NIÑO ACENDE O SINAL DE ALERTA

O número projetado pelo Cemaden pode parecer alto, mas o histórico recente mostra que a situação pode ser ainda mais intensa.

Durante o último episódio de El Niño, entre 2023 e 2024, o Brasil registrou nove ondas de calor entre agosto e dezembro, acima da média histórica de aproximadamente quatro eventos no período analisado.

A preocupação agora é que um novo episódio de El Niño possa favorecer novamente temperaturas acima da média e ampliar a ocorrência de eventos extremos.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já havia indicado, em junho, uma alta probabilidade de temperaturas acima da média no segundo semestre de 2026, cenário que pode favorecer ondas de calor e aumentar o risco de incêndios florestais.

🌊 E A REGIÃO DOS LAGOS?

Rio das Ostras, Macaé, Araruama, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Búzios estão inseridas em uma região onde o calor tem impacto direto na rotina da população e também na atividade turística.

Praias lotadas, aumento do consumo de água, maior utilização de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores e exposição prolongada ao sol são alguns dos fatores que podem ganhar ainda mais importância durante períodos prolongados de temperaturas elevadas.

Mas é importante fazer uma ressalva: a projeção nacional do Cemaden não significa que as seis ondas de calor necessariamente atingirão todas as cidades da Região dos Lagos da mesma maneira. A intensidade e a duração dos episódios podem variar conforme as condições atmosféricas locais.

💧 CALOR TAMBÉM PODE SIGNIFICAR PRESSÃO SOBRE A ÁGUA

Temperaturas elevadas aumentam a evaporação e podem elevar o consumo de água pela população.

Em regiões que recebem milhares de visitantes durante a primavera e principalmente o verão, a demanda pode crescer ainda mais.

Por isso, o alerta climático não deve ser observado apenas como uma questão de temperatura.

Ele também envolve infraestrutura urbana, abastecimento, energia, saúde pública e planejamento das cidades.

🏥 QUEM PRECISA TER MAIS CUIDADO?

Períodos prolongados de calor podem representar maior risco principalmente para pessoas mais vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com determinadas condições de saúde.

A recomendação geral durante episódios de calor intenso é evitar exposição prolongada ao sol, manter-se hidratado, procurar ambientes ventilados e acompanhar os alertas meteorológicos e das autoridades de saúde e Defesa Civil.

⚡ IMPACTO TAMBÉM PODE CHEGAR À CONTA DE LUZ

Outro possível efeito das temperaturas elevadas é o aumento do consumo de energia.

Com o calor persistente, cresce a utilização de aparelhos de ar-condicionado, ventiladores e outros equipamentos para refrigeração.

Em um cenário de sucessivas ondas de calor, essa demanda pode aumentar ainda mais.

🔥 MAIS CALOR, MAIOR ATENÇÃO A INCÊNDIOS

O calor extremo também preocupa pelo potencial de agravamento das condições favoráveis a incêndios.

O próprio Inmet aponta que temperaturas acima da média podem contribuir para o aumento de ondas de calor e da ocorrência de incêndios florestais.

Por isso, queimadas provocadas por ação humana, descarte de cigarros e uso irregular do fogo em áreas abertas podem representar riscos ainda maiores durante períodos de tempo quente e seco.

🌎 UM ALERTA QUE VAI ALÉM DA PREVISÃO DO TEMPO

O que está sendo projetado para os próximos meses não significa que o Brasil terá quatro meses de calor extremo ininterrupto.

A previsão aponta para a possibilidade de episódios sucessivos de ondas de calor, separados por períodos de temperaturas mais próximas do normal ou até mesmo por mudanças bruscas nas condições meteorológicas.

O cenário, entretanto, reforça uma discussão que já ultrapassou os limites da meteorologia: como as cidades brasileiras estão se preparando para eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes?

Para a Região dos Lagos, onde o verão movimenta turismo, comércio e serviços, essa pergunta ganha ainda mais importância.

Enquanto o país se prepara para a possibilidade de pelo menos seis ondas de calor até dezembro, fica o alerta: o próximo verão pode exigir mais do que protetor solar e ventilador. Pode exigir planejamento.

📌 FONTE: Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e informações divulgadas pela imprensa neste sábado (29).

✍️ Wallef Padilha | SEU REPÓRTER INDEPENDENTE