A primavera começa oficialmente no Hemisfério Sul na próxima terça-feira, 22 de setembro, às 21h05, pelo horário de Brasília. A estação segue até 21 de dezembro e marca o equinócio, momento em que o dia e a noite têm duração aproximadamente semelhante. A partir daí, os dias passam a ficar gradualmente mais longos no Hemisfério Sul.
Mas a chegada da primavera não acontece apenas no calendário.
Nos jardins, praças, áreas verdes, quintais e ambientes naturais, uma transformação começa a ser percebida nas plantas. Flores se abrem, aromas se espalham e aumenta a movimentação de animais que dependem das plantas para obter alimento. Entre eles estão alguns dos personagens mais importantes desse ciclo: abelhas, borboletas e outros polinizadores.
UM MUNDO QUE COMEÇA NAS FLORES
Para muitas pessoas, a primavera é associada às cores das flores. Para a natureza, porém, a floração representa muito mais.
As flores podem oferecer recursos como néctar e pólen para diferentes animais. Em troca, durante as visitas às plantas, esses animais podem transportar grãos de pólen de uma flor para outra, contribuindo para a reprodução de diversas espécies vegetais.
É uma relação que pode passar despercebida no cotidiano, mas que participa diretamente da manutenção dos ecossistemas.
Segundo o ICMBio, os insetos polinizadores atuam na produção de frutos e sementes e têm papel importante tanto na produção de alimentos quanto na manutenção da biodiversidade terrestre. O órgão estima que cerca de 76% das culturas alimentares no Brasil dependam da polinização animal.
ABELHAS: MUITO ALÉM DO MEL
Quando se fala em abelhas, é comum pensar imediatamente no mel. Mas a importância desses insetos vai muito além da produção desse alimento.
As abelhas estão entre os principais agentes de polinização. Ao visitar diferentes flores em busca de néctar e pólen, elas podem transportar o pólen entre plantas.
O Brasil possui uma grande diversidade desses insetos. De acordo com o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Insetos Polinizadores, existem 1.965 espécies de abelhas registradas no país, distribuídas por diferentes biomas.
Nem todas vivem em colmeias. Existem espécies sociais e também abelhas solitárias, que constroem seus ninhos em locais como cavidades naturais, madeira e solo.
Por isso, observar uma pequena abelha visitando uma flor é também observar uma parte de uma engrenagem muito maior.
O VOO DAS BORBOLETAS TAMBÉM FAZ PARTE DESSE CICLO
Coloridas e facilmente reconhecidas pelas pessoas, as borboletas também participam das relações entre plantas e animais.
Na fase adulta, muitas espécies visitam flores em busca de néctar. Durante esse contato, podem contribuir para a transferência de pólen entre flores.
O Brasil possui uma enorme diversidade de lepidópteros, grupo que reúne borboletas e mariposas. O ICMBio registra mais de 26 mil espécies descritas no país.
As borboletas também podem ajudar pesquisadores a perceber mudanças nos ambientes naturais. O próprio ICMBio utiliza borboletas em projetos de monitoramento e destaca algumas espécies como importantes bioindicadores em áreas de restauração.
QUANDO A PRIMAVERA MUDA O RITMO DA NATUREZA
A mudança de estação está relacionada à posição da Terra em sua órbita e à inclinação do eixo terrestre. Com a chegada da primavera, também ocorre uma mudança gradual na quantidade de luz recebida durante o dia no Hemisfério Sul.
Essa alteração faz parte de um conjunto de condições que influencia plantas, animais e outros componentes dos ecossistemas.
É por isso que a primavera pode ser percebida como um período de transformação: há mais flores disponíveis, diferentes espécies passam a utilizar esses recursos e as interações entre plantas e animais ganham destaque.
Não significa que toda a natureza simplesmente “acorde” no mesmo dia. Cada espécie responde às condições ambientais de maneira própria, e os efeitos também variam conforme a região.
E O CLIMA?
A primavera de 2026 também começa sob um cenário climático que merece atenção.
Segundo o painel conjunto do INPE, INMET, ANA, Cemaden, SGB, Defesa Civil Nacional e Censipam, existe previsão de influência de um El Niño durante a primavera. Para setembro, outubro e novembro, as projeções indicam tendência de chuvas acima da média em áreas do Sul e abaixo da média em áreas do centro-norte do país. As temperaturas, por sua vez, tendem a ficar acima da média em grande parte do território nacional.
As previsões climáticas, entretanto, são diferentes de uma previsão meteorológica para um dia específico e podem variar conforme a região e a evolução dos sistemas atmosféricos.
No Sudeste, por exemplo, o cenário precisa ser acompanhado ao longo da estação. O INMET já indicava, para setembro, possibilidade de chuvas acima da média em áreas do Sudeste, incluindo partes do Rio de Janeiro.
UMA ESTAÇÃO PARA OBSERVAR
A primavera pode ser percebida sem grandes equipamentos.
Uma caminhada por uma praça, jardim ou área verde pode revelar uma pequena sequência de acontecimentos: uma flor aberta, uma abelha recolhendo pólen, uma borboleta procurando néctar, um fruto se formando.
Cada elemento parece isolado, mas participa de uma rede de relações.
Preservar áreas verdes, evitar o uso indiscriminado de produtos que possam afetar insetos e manter plantas que ofereçam flores e recursos aos polinizadores são algumas formas de favorecer esses pequenos habitantes dos ambientes urbanos e naturais.
A primavera, portanto, não é apenas uma mudança de estação.
É também um lembrete de que a biodiversidade está acontecendo diante dos nossos olhos — muitas vezes em silêncio, entre uma flor e o voo de uma borboleta.